A fotografia passou a fazer parte da vida do paraense Rao Godinho (33) por acaso. A curiosidade dos colegas do interior paulista, quando cursava Tecnologia Naval, fez com que iniciasse a fotografar sua cidade natal.

“As pessoas perguntavam tanto, que eu decidi, nas minhas primeiras férias aqui, procurar alguns registros mais característicos e peculiares que melhor mostrassem Belém”, explicou Rao.

A atitude simples foi o primeiro passo para uma carreira de sucesso. Em 2011, já de volta à região Amazônica, fixou residência em Manaus e lá fez cursos e comprou a primeira câmera profissional.

É dessa época a foto intitulada “Carambela”, que foi três vezes premiada em São Paulo e que também conquistou prêmio em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O registro faz parte da exposição HUMANAMAZONIA, em cartaz na Galeria Virtual da Griffo.

Rao conta que um dos seus desafios é desmistificar o pensamento sobre a região: “Toda vez que falam na Amazônia, só falam na floresta e nos animais, na maioria das vezes nem se fala na água. Como as pessoas da região são muito estereotipadas, eu tentei fazer um registro desse ser humano”.

Em meio a tantas fotos de tirar o fôlego, há belos registros de histórias reais. Emocionado, Rao conta que ao chegar na Feira do Açaí para entregar algumas fotos, perguntou se alguém conhecia uma das pessoas retratadas. “Na hora, o tempo fechou, todos se olharam e chamaram um rapaz que viu a foto e começou a chorar. Ele me explicou que era a única foto do pai que tinha morrido duas semanas antes”.

Esse e outros registros fazem parte da exposição HUMANAZONIA, montada originalmente em Lisboa, em 2018, quando cursava mestrado em terras portuguesas. Aqui no Brasil, quem quiser ver as obras do artista, tem a oportunidade através do site da Griffo, basta clicar aqui.

Texto de Eduardo Auad com colaboração de Lilia Affonso.

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